“CERTA NOITE, AO ENTRAR EM MINHA SALA DE AULA, VI NUM MAPA-MUNDI, O
NOSSO BRASIL CHORAR”!
O que houve, meu Brasil Brasileiro? Perguntei-lhe! E ele,
espreguiçando-se em seu berço esplêndido, esparramado e verdejante sobre a
América do Sul, respondeu chorando, com suas lágrimas amazônicas: Estou
sofrendo. Vejam o que estão fazendo comigo... Antes, os meus bosques tinham
mais flores e meu seio mais amores. Meu povo era heróico e os seus brados,
retumbantes. O sol da liberdade era mais fúlgido e brilhava no céu a todo
instante. Onde anda a liberdade, onde estão os braços fortes? Eu era a Pátria
amada, idolatrada. Havia paz no futuro e glórias no passado.
Nenhum filho meu fugia à luta. Eu era a terra adorada e dos filhos deste
solo era a mãe gentil.
Eu era gigante pela própria natureza, que hoje devastam e queimam, sem
nenhum homem de coragem que às margens plácidas de algum riachinho, tenha a
coragem de gritar mais alto para libertar-me desses novos tiranos que ousam
roubar o verde louro de minha flâmula.
Eu, não suportando as chorosas queixas do Brasil, fui para o jardim. Era
noite e pude ver a imagem do Cruzeiro que resplandece no lábaro que o nosso
país ostenta estrelado.
Pensei... Conseguiremos salvar esse país sem braços fortes? Pensei
mais.... Quem nos devolverá a grandeza que a Pátria nos traz? Voltei à sala,
mas encontrei o mapa silencioso e mudo, como uma criança dormindo em seu berço
esplêndido.
#ReajaBrasil! 🇧🇷
Linda redação. Vamos repassar a todos os nossos contatos!!!🙏🏻
Cultive a alegria em seu coração.
Dificuldades todos passam de uma forma ou de outra.
Adversidades e obstáculos fazem parte
da vida de qualquer um de nós, pois são lições pelas quais temos que passar
para o aprendizado e crescimento da nossa alma.
Mas ainda que o céu desabe sobre nós,
alegria sempre, pois Deus está conosco.
Nada acontece por acaso.
Deus sabe quais são as verdadeiras
razões de passarmos por determinadas situações.
Mas por pior que seja o problema por
que esteja passando, lembre-se de que tudo passa, e se olharmos os
acontecimentos de uma forma tranquila e serena a situação tende a melhorar e
tudo se torna leve.
Deus é alegria, por isso deixe a
alegria vibrar dentro de você. Já está comprovado cientificamente que a alegria
aumenta a imunidade e pode trazer a cura para muitas doenças.
Portanto, alegria sempre, em qualquer
situação, pois Deus está conosco, nos amparando, nos guiando e fazendo o melhor
por nós.
Gotas de Paz
Que seu novo despertar seja de muitas
bençãos, luz, paz, amor e saúde pra você e sua família, Jesus nos proporcione
um novo dia de muitas glórias, gratidão!
O idoso Tom Keating, de 80 anos, mora
em uma casa de repouso por conta de seus problemas de saúde e necessidade de
cuidados especiais. Tom nunca teve filhos e esposa. Ele trabalhou como pintor e
decorador em uma construtora antes de se aposentar.
O que Tom e a equipe da casa de
repouso que fica em Huyton, Liverpool, não poderiam imaginar é que após um ano
da entrada do idoso a mãe dele (uma senhora de 98 anos) iria se juntar ao filho
para cuidar do seu “bebê” octogenário! O amor de mãe é algo inexplicável.
“Digo boa noite para o Tom em seu
quarto todas as noites e no dia seguinte digo bom dia, vou tomar o café da
manhã e ele procura por mim”, declarou Ada Keating, a mãe de Tom.
A dupla dinâmica ama passar tempo na
companhia um do outro, especialmente jogando e assistindo Tv: “Quando vou ao
cabeleireiro ele me procura para saber quando volto. Quando eu voltar, ele virá
até mim com os braços estendidos e me dará um grande abraço” disse a mãe.
Até o o gerente da instalação, Philip
Daniels, fica impressionado com a amizade dos dois: “É muito comovente ver o
relacionamento próximo que Tom e Ada compartilham e estamos muito satisfeitos
por poder atender às necessidades de ambos” e completou “É muito raro ver mães
e filhos juntos na mesma casa de repouso e certamente queremos tornar o tempo
deles o mais especial possível”.
Não importa a idade dos filhos, as
mães sempre terão um lugar em seus corações para enxergarem a criança que vive
dentro deles.
A verdade, embora às vezes
desconfortável, é um pilar para quem vive honestamente. Nem sempre protege, nem
sempre agrada, mas dá estabilidade interna. Quem fala a verdade pode perder
aplausos, relacionamentos ou vantagens momentâneas, mas ganha algo mais difícil
de alcançar: coerência consigo mesmo.
A mentira, pelo contrário, não nasce
da inteligência, mas do medo. É usada como abrigo quando falta coragem para
enfrentar as consequências, quando se prefere o conforto à responsabilidade.
Protege apenas por um instante, porque mais cedo ou mais tarde exige mais
mentiras para se sustentar.
A traição vai um passo além, porque
não só esconde a verdade, mas quebra um laço. Revela uma profunda falta de
princípios, uma disposição para vender o outro para salvar a si mesmo. Não
precisa de explicações longas: denuncia-se com o tempo.
Essa mensagem não fala de perfeição,
mas sim de caráter. Todos nós falhamos, mas nem todos escolhem mentir ou trair
para encobrir seus erros. Há uma grande diferença entre errar e trair, entre
falhar e enganar deliberadamente.
A imagem convida a rever nossas
escolhas diárias, aquelas pequenas escolhas onde ninguém olha. É aí que se
define se agimos pela verdade ou pelo medo. Não nos grandes discursos, mas no
que fazemos quando mentir seria mais fácil.
No final, viver com verdade não
garante uma vida confortável, mas sim uma vida firme. E isso, em um mundo onde
muitos se escondem atrás de desculpas, torna-se uma forma silenciosa, mas
poderosa, de dignidade.
O meu nome é Josefa e esta é a
história de como passei de escrava a senhora de terras, de como dei à luz 10
filhos proibidos e sobrevivi à fúria de uma que jurou ver-me morta. Esta é a
história de um escândalo que abalou o recôncavo baiano em 1788 e que ainda hoje
é sussurrado nas quintas antigas, quando as pessoas se querem lembrar que nem
tudo na história do Brasil colonial foi como contam nos livros.
Porque eu, uma negra nascida na
cenzala, tornei-me dona de terras e de gente, e o preço que paguei por isso foi
escrito em sangue, suor e lágrimas de quase 30 anos. Nasci em 1755 no Engenho
São Francisco, uma imensa propriedade de cana de açúcar no Recôncavo baiano,
perto de Cascata.
A minha mãe era escrava de Eito, o
meu pai nunca o conheci. Dizem que era um escravo de outra quinta que por ali
passou e nunca mais voltou. Cresci, como todas as meninas escravas cresciam,
trabalhando desde os 5 anos, ajudando na casa grande, transportando água,
lavando roupa, fazendo tudo o que lhe mandavam fazer.
Mas eu tinha uma diferença. Eu era
bonita. Não digo isto com vaidade. Digo como quem reconhece um facto que mudou
completamente a minha vida. Tinha a pele escura e lisa, olhos grandes, corpo
que começou a desenvolver demasiado cedo. E o senhor do engenho percebeu. Francisco
Almeida de Carvalho tinha 42 anos quando me levou para a sua cama pela primeira
vez.
Eu tinha apenas 14, era 1769 e não
tive escolha, nunca tive. Ele simplesmente chamou-me uma noite, levou-me para
um quarto nos fundos da casa grande, longe dos olhares da esposa, dona Mariana,
e fez comigo o que quis. Doeu. Doeu no corpo e na alma. Chorei a noite inteira
depois, abraçada com a minha mãe na cenzala, enquanto ela acariciava os meus
cabelos e dizia que eu precisava de ser forte, que era assim que as coisas
eram, que eu não era a primeira, nem seria a última.
Mas as suas palavras não aliviaram a
dor, nada aliviava. Nos meses seguintes, o Sr. Francisco continuou a chamar-me
duas, três vezes por semana, sempre à noite, sempre escondido, sempre rápido,
mas com o tempo algo mudou. Ele começou a falar comigo. Depois perguntava como
é que eu estava, se precisava de alguma coisa.
Trazia-me pedaços de bolo da cozinha
da Casagre. Eu não compreendia, não percebia porque um senhor de engenho, um
homem branco, rico e poderoso, estava a me tratando-se quase como se eu fosse
gente, quase, porque no fim eu ainda era a sua propriedade. O meu corpo, a
minha vida, tudo era dele para usar como quisesse.
Mas havia algo naqueles olhos dele
quando olhava para mim, algo que não era apenas desejo, era carinho. Era uma
ternura estranha que eu não sabia como interpretar. Em março de 1770, descobri
que estava grávida. Tinha 15 anos. O medo que senti foi maior do que qualquer
coisa que já tinha sentido na vida.
Medo do que a senhora Mariana faria
se descobrisse, medo do que iria acontecer comigo. Medo de trazer uma criança
para aquele mundo de horrores. Mas quando contei ao Senhor Francisco, sorriu.
Sorriu de uma forma que eu nunca tinha visto. "É o meu filho", ele
disse tocando na minha barriga com uma delicadeza surpreendente. "Vou
cuidar de ti. Vou cuidar deste criança."
E cumpriu. Tirou-me do trabalho
pesado, colocou-me para trabalhar apenas dentro da casa grande, deu-me comida
melhor, um colchão de verdade na cenzala. As outras escravas começaram a olhar
para mim diferente. Umas com inveja, outras com pena, todas com receio de que a
sinhá descobrisse.
O meu primeiro filho nasceu em
dezembro de 1770. Um menino lindo, de pele clara, olhos que já mostravam que
não seriam escuros como os meus. O Senr. Francisco viu-o e chorou. Chorou de
verdade, lágrimas descendo pelo rosto enquanto segurava aquela criança pequena
nos braços. "O António", disse ele, "vai chamar-se António como
meu pai....
Aquilo me assustou-se e
deu-me esperança ao mesmo tempo. Porque um senhor que chora ao ver um filho
bastardo que dá a ele o nome do próprio pai, talvez fosse um senhor que daria a
este filho um futuro melhor do que o da mãe. E eu tinha razão.
Parcialmente, a dona Mariana descobriu, claro, impossível esconder
uma criança mulata na quinta, mas a reação dela me surpreendeu. Ela não gritou,
não me mandou chicotear, não exigiu que o Senhor me vendesse. Ela simplesmente
me ignorou. Ignorou-me a mim e ao António como se fôssemos fantasmas. Continuou
a sua vida de sinhá, organizando a casa, indo à missa, recebendo visitas. Mas
nos olhares que me lançava quando as nossas vidas se cruzavam, via o ódio, um
ódio frio, calculado, perigoso, um ódio que eu sabia que um dia explodiria. Só
não sabia quando nem como.
O Senr. Francisco continuou a me chamando e eu continuei a
engravidar. Em 1772 nasceu João. Em 1774 nasceu a Maria. Em 1776 nasceu o
Pedro. A cada filho o Senhor tornava-se mais apegado, mais protetor. Construiu
uma pequena casa perto da cenzala só para mim e as crianças. Não era a casa
grande, mas era infinitamente melhor que a cenzala. Tinha camas de verdade,
tinha uma cozinha, tinha até uma janela com cortina.
As outras escravas sussurravam que eu me tinha virado quase uma
sinhá, que eu tinha enfeitiçado o senhor com macumba. Não era verdade. Eu não
tinha enfeitiçado ninguém. Eu era apenas uma mulher que tinha aprendido a
sobreviver da única forma que podia, usando o único poder que tinha, o meu
corpo e os filhos que gerava.
Em 1778 nasceu Francisca. Em 1780 nasceu José. Em 1782 nasceu
Ana. Em 1784 nasceu Miguel. Em 1786 nasceu Teresa e em 1788 nasceu o meu 10º e
último filho, Vicente. 10 crianças em 18 anos, 10 filhos do senhor do engenho.
10 mulatos que cresciam à sombra da casa grande, nem escravos, nem livres, numa
posição indefinida que irritava toda a gente.
A Dona Mariana tinha
apenas três filhos legítimos, todos já adultos, e via aqueles 10 sacanas como
insultos vivos, lembretes constantes da infidelidade do marido, da humilhação
que ela suportava todos os dias. Mas o Sr. Francisco os amava, amava de
verdade. Visitava a minha casa todos os dias, brincava com as crianças,
ensinava os rapazes a ler. Algo que nenhum senhor fazia com filhos bastardos.
Trazia presentes, roupas melhores que as de escravos comuns, sapatos até.
E começou a falar de futuro. “Quando eu morrer”, dizia ele, “vou
deixar algo para eles. Não posso dar o meu apelido, não posso reconhecê-los
oficialmente, mas posso garantir que não vão viver como escravos.” Eu ouvia
aquilo com esperança e medo misturados. Esperança pelo futuro dos meus filhos,
medo do que aconteceria até lá.
A vida seguiu assim durante anos. Eu vivia numa estranha bolha,
nem escrava, nem livre, nem sinhá, nem mucama. Trabalhava pouco, comia bem, via
os meus filhos a crescerem fortes e saudáveis, enquanto outras mães escravas
viam os seus morrerem de doença, de fome, de trabalho excessivo. Eu sabia que
tinha privilégio. Privilégio construído sobre o meu corpo, sobre a vontade de
um homem que me possuía legalmente, mas que tinha por mim algo que se
aproximava do amor.
Ou talvez fosse apenas obsessão. Nunca soube ao certo, mas sabia
que aquele privilégio tinha um preço. E o preço era o ódio da dona Mariana, que
crescia a cada ano, a cada filho, cada dia que respirava.
Em 1787, as coisas começaram a mudar. O Sr. Francisco adoeceu.
Uma febre que começou fraca, mas foi piorando, consumindo-o lentamente. Os
médicos de Salvador vieram, fizeram sangrias, receitaram medicamentos caros que
não funcionavam. Eu cuidava dele quando a dona Mariana permitia, levava caldos,
limpava-lhe o suor da testa, segurava a sua mão quando a dor era forte demais.
E foi numa dessas noites,
em agosto de 1787, que ele me contou o segredo. “Fiz um testamento”, sussurrou
a voz fraca, “um testamento secreto. Você e as crianças vão receber terras, vão
receber a alforria, vão ser livres.” Eu não acreditei. Não podia acreditar. Um
senhor de engenho libertando 10 filhos bastardos e a mãe escrava dando-lhes
terras. Aquilo era impensável, era escandaloso, era impossível, mas era
verdade.
O Senr. Francisco tinha procurado um notário em Salvador, longe
dos olhares curiosos de Cachoeira, e tinha registado um testamento, deixando
para mim e para os nossos 10 filhos uma parte significativa das suas terras.
Não eram as melhores terras, não eram as mais produtivas, mas eram terras,
hectares e hectares de terra boa para plantar, com uma casa, com escravos para
trabalhar e não só disso, a nossa alforria, liberdade legal, reconhecida,
impossível de ser revertida.
Quando ele me contou
aquilo, chorei. Chorei de alegria, de medo, de gratidão, de terror, porque eu
sabia o que aquilo significava. Significava guerra. Significava que quando o
Senhor Francisco morresse, a dona Mariana e os seus filhos legítimos iriam
lutar com todas as forças para anular aquele testamento. E nesta luta, eu e os
meus filhos poderíamos morrer.
O Senr. Francisco morreu em fevereiro de 1788. Tinha 61 anos.
Morreu na cama, rodeado pela família legítima,
enquanto eu assistia de longe da porta do quarto, segurando o meu bebé Vicente
no colo. Ele olhou para mim uma última vez antes de fechar os olhos e eu vi
naquele olhar tudo o que precisava de ver: amor, arrependimento, esperança
Três dias depois, durante
o velório, o tabelião de Salvador chegou com o testamento. A leitura foi na
sala grande da Casagrande, com toda a família reunida, os filhos legítimos,
dona Mariana de Luto Negro e alguns agricultores vizinhos como testemunhas.
Quando o notário leu a parte sobre mim e as crianças, o silêncio foi
ensurdecedor. Depois veio o caos.
O filho mais velho da dona Mariana, Rodrigo, um homem de 35
anos, com cara de poucos amigos, gritou que aquilo era uma fraude, que o pai
estava louco quando fez aquele testamento, que uma escrava e os seus sacanas
não tinham direito a nada. A Dona Mariana não gritou, apenas olhou para mim com
aqueles olhos gelados e disse com uma calma aterradora: “Isso não vai valer.
Vou anular esse testamento, nem que seja a última coisa que faça. E tu, Josefa,
vais voltar para a Senzala, de onde nunca deveria ter saído.”
A guerra começou nesse dia. Rodrigo e os seus irmãos contrataram
advogados do Rio de Janeiro, homens caros que conheciam todas as leis coloniais
e todas as formas de contorná-las. Argumentaram que o pai estava senil, que
tinha sido manipulado por uma escrava feiticeira, que o testamento violava as
leis da herança.
Eu não tinha dinheiro para advogados, mas o notário, um homem
chamado Dr. Bernardo, decidiu ajudar-me. Não sei porquê. Talvez tivesse pena,
talvez acreditasse em justiça, talvez apenas quisesse ver um escândalo de
perto. Ele trabalhou de graça, reuniu documentos, provou que o Senhor Francisco
estava em perfeito juízo quando fez o testamento, trouxe testemunhas que
confirmaram que sempre tratou aquelas crianças como filhos.
O processo durou meses, meses em que vivi no inferno. Dona
Mariana tirou-me da casinha e atirou-me de volta na cenzala com as crianças.
Tirou a comida boa, tirou as roupas decentes, colocou os rapazes mais velhos
para trabalhar no eito como escravos comuns. António, meu primogénito, que já
tinha 17 anos, regressava todos os dias com as mãos sangrando de cortar cana.
João, de 16, apanhava do feitor sempre que abrandava. As meninas lavavam a
roupa do amanhecer até à noite e não podia fazer nada mais do que assistir e
rezar para que a justiça colonial, tão raramente justa para os negros, desta
vez fosse diferente.
Dona Mariana tentou matar-me, não diretamente, ela era demasiado
esperta para isso, mas tentou. Mandou-me dar comida estragada, esperando que eu
adoecesse e morresse. Mandou o feitor chicotear-me por qualquer motivo
inventado. Uma vez me fechou no tronco durante dois dias inteiros sob o sol
abrasador, sem água, sem comida. Eu sobrevivi porque outras escravas que tinham
pena de mim ou que respeitavam a memória do Senr. Francisco, davam-me água
escondido à noite. Sobrevivi porque tinha 10 razões para sobreviver. 10 filhos
que precisavam de mim viva para ter qualquer hipótese de liberdade.
Em outubro de 1788, 8 meses após a
morte do Senr. Francisco, o juiz proferiu a sentença. O testamento era válido.
Eu e os meus 10 filhos éramos livres e éramos donos legais de 250 hectares de
terra do antigo engenho de São Francisco. Terra boa com ribeiro, mata, área
cultivável e uma casa de três quartos. Além disso, recebíamos 10 escravos para
trabalhar a terra e uma quantia em dinheiro, cinco contos de réis para começar
a produção.
Quando o Dr. Bernardo me deu a
notícia, desabei no chão e chorei durante horas. Os meus filhos me abraçaram,
todos a chorar também, sem acreditar que aquilo era real, que finalmente éramos
livres. Mas a vitória tinha um sabor amargo, porque sabia que a dona Mariana
nunca aceitaria aquilo e estava certa.
Três dias depois da sentença, na
noite de 28 de outubro de 1788, homens armados invadiram a minha nova casa.
Eram seis contratados por Rodrigo, com ordens para nos expulsar ou matar-nos.
Mas o Dr. Bernardo tinha previsto aquilo e tinha avisado o capitão mor da vila.
Havia soldados protegendo a minha propriedade. Houve tiros, gritos. Um dos
invasores morreu, outros fugiram. O Rodrigo foi preso, processado e condenado a
pagar uma multa pesada. A sentença dizia claramente: “Aquelas terras eram
minhas e qualquer tentativa de me tirar dali seria considerado crime contra a
propriedade legal”.
A notícia espalhou-se como fogo, uma
escrava que se tornou sinhá, uma negra dona de terras e de escravos. Um
escândalo que abalou não só o recôncavo baiano, mas todo o Brasil colonial. Os
padres pregavam contra mim nos púlpitos, dizendo que eu era um exemplo de
pecado e a desordem. Agricultores vizinhos recusavam a comerciar comigo.
Mulheres brancas cuspiam-me para o chão quando eu passava.
Mas também havia os que me apoiavam.
Outros escravos viam-me como esperança, como prova de que era possível mudar de
vida. Alguns homens, livres, pobres, respeitavam-me porque eu tinha lutado e
vencido contra a elite. E os comerciantes de Salvador não preocupavam com a cor
da minha pele, apenas com a cor do meu dinheiro.
Comecei a plantar tabaco e mandioca
nas minhas terras. Não era cana. Não daria o imenso lucro da cana, mas era algo
que eu conseguia gerir. Os meus filhos mais velhos ajudavam-me, aprendiam a
gerir, a negociar, a lidar com os escravos que agora trabalhavam para nós.
Sim, escravos. Eu que fui escrava a
vida inteira, era agora dona de escravos. A ironia não me escapava, mas eu os
tratava diferente. Dava melhor comida, não permitia castigos severos. Prometia
alforria para quem trabalhasse bem durante 10 anos. Não era perfeito, não era
justo, mas era melhor do que a maioria dos senhores.
Dona Mariana faleceu em 1791, 3 anos
depois de ter perdido o processo. Dizem que morreu de desgosto, de vergonha, de
raiva acumulada. Não fui ao enterro, não senti pena. Aquela mulher tentou
matar-me, tentou destruir os meus filhos e o único arrependimento que tenho é
não ter podido dizer-lhe na cara que sobrevivi, que venci, que os meus filhos
eram livres e prósperos, enquanto os filhos legítimos dela estavam falidos e
amargurados.
Os anos seguintes foram difíceis, mas
bons. A quinta prosperou. Não ficámos ricos, mas vivíamos bem. Os meus filhos
cresceram livres, educados, respeitados por alguns, odiados pelos outros, mas
livres. António casou com uma mulher livre, parda, e teve cinco filhos. João
administrava a parte do tabaco da propriedade. As meninas casaram com homens
livres, alguns negros, alguns pardos, todos escolhidos por elas, não impostos.
E eu, Josefa, a ex-escrava, passei a
ser a dona Josefa. Senhora de terras, mãe de 10 filhos livres, vencedora de uma
guerra que não deveria ter ganho. Hoje, em 1810, tenho 55 anos. O meu corpo
está cansado de tantos partos, tanto trabalho, tantas lutas. Mas a minha alma
está em paz, porque quando olho em redor e vejo os meus filhos, os meus netos,
as minhas terras, sei que valeu a pena.
Valeu cada lágrima, cada humilhação,
cada noite em que o Senhor Francisco usou-me, cada dia em que a dona Mariana
tentou destruir-me. Valeu porque transformei a dor em vitória, transformei a
escravidão em liberdade, transformei 10 filhos proibidos numa família próspera
e livre.
Família
A minha história é estranha, é
perturbadora, está cheia de contradições. Fui amante de um senhor de engenho,
mãe dos seus sacanas, depois senhora de escravos eu própria. Não sou heroína,
não sou santa, não sou exemplo puro de nada. Sou apenas uma mulher que fez o
que teve de fazer para sobreviver e para dar aos seus filhos uma melhor
hipótese de vida.
E neste Brasil de 1810, onde a
escravatura ainda reina e provavelmente vai reinar durante muitas décadas, a
minha história é um raio de luz, uma prova de que o impossível por vezes
acontece, de que uma escrava pode virar, de que 10 os filhos proibidos podem
herdar terras, de que até neste sistema brutal, cruel, desumano, há brechas
onde a vida encontra um caminho.
Sei que a minha história será
esquecida, que daqui a 100 anos ninguém se vai lembrar de Josefa do Engenho de
São Francisco. Mas enquanto eu viver, vou lembrar-me. Vou lembrar-me de cada
filho que dei à luz, de cada luta que venci, de cada vez que me disseram que eu
não tinha direito a nada e provei que estavam errados.
E vou ensinar os meus netos a
lembrarem-se também, porque a memória é tudo o que sobra quando o corpo já não
aguenta mais. E a minha memória é de fogo, de sangue, de dor, mas também de
vitória, de uma vitória que não deveria existir, mas existe. E ninguém me pode
tirar isso.
O Dr. Ivo Pitanguy foi um dos
cirurgiões plásticos mais renomados do mundo e um dos nomes mais importantes da
medicina brasileira. Nascido em 1926, em Minas Gerais, construiu uma carreira
internacional marcada por excelência técnica, inovação e formação de
profissionais que levaram seu ensinamento para diversos países. Embora tenha se
tornado referência na cirurgia estética, sempre defendeu que a cirurgia
plástica ia muito além da vaidade — para ele, tratava-se também de devolver
dignidade, autoestima e inclusão social a quem sofria com deformidades ou
cicatrizes.
Após o trágico incêndio do circo em
Niterói, em 1961, que deixou centenas de crianças gravemente queimadas,
Pitanguy transformou a comoção em missão. Ele passou a realizar cirurgias
reconstrutivas gratuitas em vítimas de queimaduras e acidentes, dedicando
décadas ao atendimento de pessoas que não tinham condições de pagar por
tratamento. Mais do que reconstruir rostos, ele ajudava a restaurar a vontade
de sorrir novamente, oferecendo a milhares de pacientes não apenas um
procedimento médico, mas uma nova chance de viver com confiança.
- VOCÊ SE CULPA POR TER SE
PERDIDO, MAS ESQUECE QUE, NAQUELA ÉPOCA, SEU MAPA ERA OUTRO.
- VOCÊ ESCOLHEU COM A BÚSSULA
QUE TINHA, COM A CORAGEM E O MEDO DISPONÍVEIS. JULGAR O PASSADO COM A SABEDORIA
DO PRESENTE É CULPAR UM VIAJANTE POR NÃO SEGUIR UM CAMIMHO QUE AINDA NÃO
CONHECIA.
NAQUELE MOMENTO , ENTENDI: NÃO
FOI ERRO, FOI O CAMINHO QUE ME TROUXE ATÉ AQUI.
Tim Maia estava no meio de gostava
tanto de você quando viu dois seguranças arrastando um senhor de idade pelo
braço em direção à saída do canecão. Ele parou de cantar no meio da música. A
banda continuou tocando por alguns segundos até perceber que algo estava
errado. E quando o silêncio tomou conta daquela casa de espetáculos lotada com
mais de 1000 pessoas, Tin apontou o dedo diretamente para os seguranças e
gritou do palco: "Para aí! Solta esse homem agora! Quero saber o que tá
acontecendo.
O que Tim Maia fez nos minutos seguintes,
ao interromper aquele show, expôs a injustiça que estava acontecendo bem
debaixo dos olhos de todo mundo e provou que para ele a dignidade humana valia
mais do que qualquer performance. Era final da década de 80. Tin estava no auge
absoluto da carreira fazendo temporadas lotadas no Canecão.
O público pagava caro para vê-lo e
esperava um show impecável, mas ninguém ali imaginava que ia testemunhar Tim
Maia, parando tudo para defender um desconhecido que estava sendo expulso da
casa. O senhor que estava sendo arrastado para fora se chamava Vicente. Tinha
68 anos, era aposentado, morava em Madureira e tinha economizado durante 3
meses para comprar aquele ingresso.
Era a primeira vez na vida dele que
conseguia ir ao Canecão, porque o lugar sempre foi caro demais para alguém com
a aposentadoria dele. Vicente tinha chegado duas horas antes do show começar.
ansioso, observando tudo com os olhos brilhando. Aquilo era um sonho se
realizando. Ele tinha descoberto Tim Maia no início dos anos 70, quando o primeiro
disco dele estourou nas rádios.
Naquela época, Vicente já tinha quase
50 anos. Mas aquele som diferente que Tin trouxe dos Estados Unidos o
conquistou completamente. Ele comprou cada disco que saiu, cantava as músicas
enquanto consertava relógios na oficina pequena que tinha no centro de
Madureira. E estar ali naquele momento era algo que ele nunca imaginou que
fosse possível.
Durante o show, a emoção dele era
tanta que ele cantava junto, batia palma no tempo certo, sorria sozinho e não
incomodava ninguém, porque estava completamente imerso na própria felicidade,
até que um homem mais jovem, sentado algumas cadeiras ao lado, começou a
provocar ele. O homem estava visivelmente alcoolizado, tinha chegado atrasado,
estava falando alto durante as músicas e, por algum motivo, decidiu que Vicente
cantando e batendo palma era um problema.
Ele começou falando: “Ô velho,
para de fazer barulho aí.” Vicente pediu desculpas educadamente e continuou
assistindo em silêncio, mas o homem não parou. Continuou provocando. Esse velho
tá se achando. Veio aqui fazer showzinho. Fica quieto aí. As pessoas nas mesas
ao redor começaram a ficar desconfortáveis com a situação. Algumas olhavam
para os lados, esperando que alguém fizesse alguma coisa.
Vicente tentou ignorar as provocações, virou de costas,
focou no palco, mas o homem se levantou cambaleando e deu um empurrão nas
costas dele, dizendo: “Tô falando com você, surdo.” Foi nesse momento que
Vicente se virou e disse firme, mas sem gritar: “Não me empurra não, rapaz. Eu
não fiz nada com você.
Deixe eu assistir o show em paz. A resposta defensiva foi
tudo que os seguranças que estavam passando pelo corredor viram. Eles não
tinham visto as provocações, não tinham visto o empurrão. Só viram um senhor de
idade falando alto com outro homem e interpretaram que ele era o causador da
confusão. Os dois seguranças se aproximaram imediatamente.
Um deles falou: “O senhor está bêbado?” Infelizmente não
permitimos confusão por aqui. Pegaram Vicente pelos braços, sem dar tempo dele
explicar, e começaram a arrastar ele em direção à saída enquanto ele tentava
falar. Espera, não fui eu. Foi ele que começou. Ele me empurrou. Eu só estava
assistindo o show. Mas seguranças de casa de show não costumam ouvir
explicações.
Eles seguem protocolo e o protocolo era remover quem estava
gerando problema. O homem bêbado, que tinha provocado tudo, ficou sentado na
cadeira dele sorrindo. Algumas pessoas nas mesas ao redor tentaram falar com o
seguranças. Não foi ele, não foi o outro ali. Mas a confusão era tanta e a
música estava tão alta que ninguém conseguiu ser ouvido h tempo.
Vicente estava sendo carregado pelo corredor lateral com
lágrimas de humilhação, descendo pelo rosto. 68 anos de idade, aposentado, 3
meses economizando para aquele ingresso, sendo expulso como se fosse um
baderneiro qualquer. E foi exatamente nesse momento com Vicente quase chegando
na porta de saída, que Tim Maia virou a cabeça durante gostava tanto de você.
Viu a cena toda acontecendo e
decidiu que aquilo não ia passar em branco. Tin parou de cantar de repente. A
banda demorou alguns compassos para perceber e parar também. O silêncio desceu
sobre o canecão. Mais de mil pessoas viraram a cabeça para ver o que tinha
acontecido. E Tim apontou o dedo diretamente para os seguranças, que ainda
seguravam Vicente pelos braços, e gritou do palco: “Para aí, solta esse homem
agora.
Eu quero saber o que tá acontecendo.” Os seguranças
congelaram no lugar. Vicente levantou a cabeça com os olhos cheios de lágrimas.
A plateia ficou em silêncio absoluto, tentando entender o que estava se
desenrolando na frente deles. E Tim continuou parado no centro do palco, com o
braço estendido, apontando para a cena, esperando uma resposta, deixando claro
que o show não ia continuar enquanto aquela situação não fosse resolvida do
jeito dele.
Um dos seguranças olhou para Tim no palco e respondeu em tom
profissional, tentando manter a situação sob controle. Senhor Tim Maia, o
senhor estava causando confusão. Precisamos retirar ele da casa. Tin deu dois
passos para a frente no palco, ficou ainda mais próximo da beira e falou com
uma voz que não tinha nada de educada.
Eu perguntei o que ele fez, não o que vocês acham que ele
fez. Solta esse homem e explica direito o que aconteceu. A plateia começou a
murmurar. Algumas pessoas nas mesas da frente viraram para trás tentando ver.
Outras olhavam para T sem saber se deviam aplaudir ou reclamar que o show tinha
sido interrompido.
E Vicente continuava ali parado entre os dois seguranças,
com os olhos cheios de lágrimas, sem acreditar [música] que Tim Maia tinha
parado o show inteiro por causa dele. O outro segurança tentou contornar a
situação. Nós vimos ele discutindo com outro cliente. Achamos melhor retirar
antes que virasse briga, mas Tin não aceitou aquilo.
balançou a cabeça e falou ainda mais alto. Acharam melhor?
Vocês viram o que aconteceu antes ou só apareceram no meio? Nesse momento, uma
mulher que estava sentada perto de Vicente levantou da mesa dela e gritou para
o palco. Tim! Não foi ele, não foi o outro ali, o bêbado de terno que empurrou
o senhor. Vocês pegaram o errado porque acharam que ele era importante.
Ela apontou para o homem que tinha provocado tudo. Outras pessoas
ao redor começaram a confirmar. É verdade. O velho não fez nada, só se
defendeu. O outro que começou tudo expulsaram o errado. O homem bêbado, que
tinha causado tudo, percebeu que a situação tinha virado contra ele. Tentou se
levantar para sair discretamente, mas Tin viu o movimento e apontou diretamente
para ele, gritando: “Fica aí, você não sai não.
Agora eu quero entender essa história toda antes de
continuar”. A plateia inteira virou para olhar o homem que ficou vermelho de
vergonha e voltou a sentar. Tinha então olhou para os seguranças e deu uma
ordem direta. Traz esse senhor aqui para a frente do palco. Quero falar com
ele. Os seguranças obedeceram imediatamente.
Soltaram Vicente e o guiaram com cuidado até a frente do palco,
enquanto toda a casa observava em silêncio absoluto. Tin desceu do palco, ficou
cara a cara com Vicente e perguntou olhando direto nos olhos dele: “O senhor
fez alguma coisa errada aqui?” Vicente balançou a cabeça tentando segurar o
choro e respondeu com a voz tremendo: “Não, senhor Tim Maia, eu só tava
assistindo o show cantando junto.
Ele começou a me xingar, me empurrou. Eu só pedi para ele me
deixar em paz.” Tin ouviu tudo em silêncio, colocou a mão no ombro de Vicente
num gesto de solidariedade, depois virou para os seguranças e falou numa voz
que todo mundo conseguiu ouvir. Então vocês pegaram o homem errado, expulsando
um senhor de idade que economizou três meses para estar aqui, enquanto o bêbado
que causou tudo ficava sentado rindo.
Os seguranças tentaram se explicar. A gente não viu o que
aconteceu antes, senhor. A gente só viu ele falando alto, mas Tim cortou.
Exatamente. Vocês não viram nada e já foram julgando, já foram arrastando, sem
perguntar, sem ouvir. Tin olhou para Vicente e perguntou se ele queria ficar e
assistir o resto do show.
Vicente acenou que sim, com a cabeça, sem conseguir falar de
tanta emoção. Então Tin virou para os seguranças e ordenou que levassem aquele
homem para uma mesa boa na frente, perto do palco, e que trouxessem uma bebida
para ele por conta da casa, porque ele ia assistir o show do lugar que merecia.
Os seguranças obedeceram imediatamente.
Guiaram Vicente com cuidado até uma mesa vazia bem na frente
do palco. Enquanto a plateia explodiu em aplausos, pessoas levantaram das mesas
gritando o nome de Tim e Vicente caminhava em direção à aquela mesa nova com as
pernas tremendo, ainda sem acreditar no que estava acontecendo. Tinha então
apontou para o homem bêbado que tinha causado tudo e mandou os seguranças
levarem aquele para fora, deixando claro que da próxima vez eles deveriam
investigar direito antes de expulsar alguém, porque se ele não tivesse visto,
iam ter expulsado um
inocente e deixado um agressor dentro da casa. O homem bêbado
tentou reclamar, mas não teve coragem de falar nada e foi levado para fora sob
os olhares de reprovação de toda a plateia. Tin voltou para o palco, pegou o
microfone, esperou o silêncio voltar e antes de recomeçar a cantar, ele dedicou
a próxima música para Vicente, dizendo que aquele senhor tinha esperado tanto
tempo para estar ali e quase foi expulso injustamente, que ele merecia cada
segundo daquele show.
Vicente colocou as mãos no rosto e começou a chorar
abertamente. Não de tristeza, mas de uma alegria misturada com gratidão que ele
nunca tinha sentido antes na vida. A banda começou a tocar os primeiros acordes
de Não quero dinheiro, uma das músicas favoritas de Vicente. E quando Tim
começou a cantar, olhando diretamente para ele, aquele homem de 68 anos, que
tinha economizado três meses para comprar um ingresso que tinha sido arrastado
para fora injustamente, entendeu que às vezes a vida compensa à espera de
formas que a gente nunca poderia imaginar. O show
continuou. Tin cantou as próximas músicas com mais entrega ainda.
Cada nota parecia diferente e Vicente na mesa da frente não parava de sorrir
entre as lágrimas. Batia palma no tempo certo. Cantava junto com a voz
embargada. Vivia cada segundo daquele momento como se fosse o último da vida
dele. As pessoas ao redor começaram a reparar nele.
Algumas acenavam, outras mandavam beijos. A plateia inteira tinha
adotado Vicente como parte da história daquela noite. Ele tinha deixado de ser
um estranho e tinha virado a pessoa que todo mundo estava torcendo. A prova de
que às vezes justiça aparece nos lugares mais inesperados. Tinha entre uma
música e outra olhava para ele, fazia gestos, sorria, criava uma conexão que
dispensava palavras e a banda tocava com uma energia contagiante que fazia o
canecão inteiro vibrar.
Aquele não era mais apenas um show, tinha virado outra
coisa. Quando o show chegou ao fim e Tin cantou a última nota de primavera, a
plateia explodiu em aplausos que duraram quase 5 minutos. Pessoas batiam palmas
em pé, gritavam pedindo bis e Vicente continuava sentado na mesa da frente, com
as mãos trêmulas, aplaudindo sem parar, o rosto molhado de lágrimas, o peito
cheio de uma gratidão que ele não sabia como expressar.
Tin agradeceu o público, fez reverência e antes de sair do
palco, ele apontou diretamente para Vicente e acenou. A plateia seguiu o gesto
e começou a aplaudir especificamente para ele. Vicente levantou da cadeira, fez
uma reverência tímida para todos os lados e naquele momento ele entendeu que
aquela noite não tinha sido apenas sobre assistir um show, tinha sido sobre ser
visto, sobre ser defendido, sobre ter a dignidade restaurada na frente de mil
testemunhas.
Quando as luzes se acenderam e as pessoas começaram a sair, várias
pararam na mesa de Vicente para cumprimentar ele, apertar a mão dele, dizer que
tinham adorado a atitude de Tim. E Vicente agradecia cada palavra com
humildade, ainda processando tudo que tinha acontecido. O que Tin Maia fez
naquela noite não foi exceção.
Foi quem ele sempre foi. Um homem que não aceitava injustiça
calado, que não tinha medo de interromper o próprio show para defender alguém
que estava sendo desrespeitado, que entendia que apresentação nenhuma valia
mais do que a dignidade de uma pessoa. Tin tinha crescido enfrentando
preconceito. tinha sentido na pele o que era ser julgado pela aparência, pelo
peso, pela cor da pele, pela origem, e por isso ele reconhecia a injustiça
quando via.
Não importava se estava no meio de uma apresentação ou se a
plateia ia reclamar, porque para ele existiam coisas que não eram negociáveis
e respeito era uma delas. Vicente saiu do Canecão naquela noite carregando
muito mais do que a memória de um show. Ele saiu carregando a certeza de que
ainda existiam pessoas dispostas a parar tudo para fazer o certo.
E essa certeza mudou algo profundo dentro dele, algo que nem
trs meses economizando para comprar um ingresso conseguiriam comprar. A
história de Vicente ensina algo que a gente esquece no dia a dia, que dignidade
não deveria depender de roupa, de dinheiro, de aparência ou de onde a gente
mora. e que às vezes a maior diferença não está em grandes gestos, está em
parar o que você está fazendo para olhar de verdade para alguém que está sendo
ignorado ou maltratado.
Timmaia naquela noite não salvou uma vida, não curou uma doença,
não resolveu um problema gigante. Ele simplesmente viu um homem sendo tratado
injustamente e decidiu não aceitar aquilo. E essa escolha simples criou um
efeito que vai muito além daquele momento. Porque todo mundo que estava
presente naquela casa saiu de lá um pouco diferente, um pouco mais atento, um
pouco mais humano.
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AILTON PETRONIO DE CASTRO _
PAIS: JOSE DE CASTRO PERDIGAO E ANALITA GOMES MARTINS _
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BISAVÓS PATERNOS: HERCULANO FERNANDES DE CASTRO E VIRGINIA
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BISAVÓS MATERNOS: MANOEL GOMES MARTINS FILHO E RITA THEODOLINA MARTINS, JOÃO IGNÁCIO MARTINS E ANA CLEMENTINA DA FONSECA _ TECNICO EM CONTABILIDADE (COLÉGIO COMERCIAL MUNICIPAL SDP E COLEGIO PADRE LEBRET BH) _ LETRAS (PUC MINAS - BELO HORIZONTE E JOAO MONLEVADE) _ PEDAGOGIA (FUNCEC - JOAO MONLEVADE) _ DIREITO (FADOM - DIVINÓPOLIS) _ PÓS GRADUAÇÃO DIREITO PUBLICO (FACULDADE MONSENHOR MESSIAS - SETE LAGOAS)