Enquanto envelhecemos
Vamos ficando
Nostálgicos
E as lembranças
Afloram
Em poemas-sentimentos
lembrando
nossa terra
Que a memória
Guarda
Como cromos
De um álbum :
Alvinópolis,
sempre viva
e sempre!
Minha cidade
Que saudade de ti!
Meu olhar, mesmo
Diante de tantas
maravilhas
Vislumbradas
E a vislumbrar
Jamais se esquecerá
Dessas ruas centenárias
Dessas casas
Dessas portas e janelas
Desses portais
E fachadas
Nessas ruas, no meu tempo,
Em chão batido
Tive uma infância encantada
Em que tudo era aventura
Brincadeiras, correrias,
Pique e artista
E bandido
Soltar sputniks de papel
De jornal ( quem se lembra?)
Como balões temporões
Caçar tanajuras
Com folhas de mamona
E viver a magia das ruas
Até chegar em casa
De noite
Prá lavar os pés
Na bacia que mãe
Preparava com carinho
Aí era sentar
À beira do fogão
De lenha
No friozinho da noite
E ouvir casos
De pai e mãe....
Mimo
Perdido no tempo..
minha alvinopolis
De ontem
Aqui guardada, gravada,
Tatuada no hipocampo
Com tanta lembrança
Linda:
Quanto mais escorre
O tempo
Mais te sinto presente
Como um afago
E um carinho
De pai. De mãe .
Crepitando ali
Nas chamas do fogão
Que a vida engoliu...
...
vez em quando paro
e a memória passeia
navegando no passado
nas casas
e casos
da minha terra...
ah! infância infinita para nós
meninos e meninas
éramos donos da rua:
pés descalços
calças curtas
jogo de finca, birosca,
papão,
rodar arco e soltar pião
roubar bandeira
pique
quantas vezes me escondi
e me esqueci
nessas lembranças!
lembro.lembro-me bem
daquelas feiras agrícolas
de antigamente
em que nossos pais e mães
apresentavam orgulhosos
seus legumes plantados
com esmero e amor..
lembro
os passeios no tanque
e na pedreira
o quintal gigante da minha
madrinha rute
cheio de laranjais e goiabeiras
e as bicas de água pura..
hoje, apenas um bairro
de casas sem quintais...
e o corgo fundo
onde hoje é o colégio
era um vale com riacho
onde se lavava roupa
foi aí, em minha terra,
que conheci o cinema
de zito:meu primeiro filme
com meu pai:tarzan
e a expediçao perdida
e eu perdido no escuro
da sala
buscando
a mão do meu pai..
já mais tarde a memória
clama
as festas juninas da baixada
com encantamentos da arte
de dona guilhermina
e que a memória enfeita
ainda mais...
ah...memórias...
aqui caberiam páginas e páginas
de lembranças
de coisas pessoas objetos
e eventos
que nos marcaram
e que moldaram
nossas vidas...
alvinópolis!
como é bom te ver
e te rever
com os olhos
Serenados
da saudade!